Tavinho Moura

Cantor, Compositor, Violonista e Violeiro

Esta nuance de Tavinho, que se desdobra em quatro, revela um dos mais talentosos artistas da música brasileira.

Otávio Augusto Pinto de Moura nasceu em 9 de Agosto de 1947. Filho de uma dona de casa e de um professor - Tavinho não sabe exatamente de onde veio seu talento e gosto para a música. Talvez tenha brotado do avô paterno, Francisco Otávio Brito de Moura, a semente de tudo. Conta-se na cidade que Seu Francisco fabricou, sob encomenda e intuitivamente, uma viola com a carcaça de um bandolim, bordada de madrepérolas. Ou então da música de Luiz Gonzaga, que não parava de tocar no rádio nos anos de 1950. Tavinho lembra que seu pai, João Valente tocava violão, assim como as tias paternas que tocavam cavaquinho e bandolim. A mãe, Dona Hebe, tocava estudos de piano e canções italianas. Estava traçado! Sob as bençãos da Mata Atlântica que cercava abundantemente a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, o menino Tavinho cresceu respirando e se inspirando na natureza exuberante do lugar. E apesar de sua cidade natal ter fama de carregar nela a "carioquice" comum das divisas com o Rio de Janeiro, foi na “mineiridade” que Tavinho Moura consolidou seus muitos talentos. Primeiramente a música - onde se tornou um dos nomes do movimento Clube da Esquina - e mais tarde da literatura. Mas esta já é uma outra história.

Sua obra é principalmente composta por pesquisa e adaptação do folclore mineiro e brasileiro, como por exemplo em "Calix Bento", adaptado da Folia de Reis, ou "Peixinhos do Mar", uma canção tradicional de marujada. Lançou seu primeiro disco "Como Vai Minha Aldeia" em 1978 pela RCA.

Como compositor já foi gravado por Milton Nascimento, Sérgio Reis, Beto Guedes, Almir Sater, Boca Livre, Simone, Zizi Possi, Pena Branca & Xavantinho, 14 Bis entre outros.

Em 2014, seu Minhas Canções Inacabadas foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Regional ou de Raizes Brasileiras.

Capa do livro Maria do Matué, de Tavinho Moura

Capa do livro Maria do Matué, de Tavinho Moura

O cartunista Paulo Caruso registrou um célebre momento da visita ao amigo Veveco. Da esquerda para a direita: Mariza - Claudio Paiva - Mariano - Fernando Brant - Veveco - Silvana - Beto Guedes - Tavinho Moura.

Mariza - Claudio Paiva - Mariano - Fernando Brant - Veveco - Silvana - Beto Guedes - Tavinho Moura

Como profetizado por Murilo Antunes na canção "Era Menino", Tavinho Moura nunca deixou morrer a criança mineira que habita dentro dele. Na foto abaixo, vemos um Pagagaio Gavião construído por ele, pelo qual foi premiado num festival do gênero.

Tavinho Moura construiu esse Papagaio Gavião e foi premiado num festival

Em 2016, o jornalista Fabrício Marques fez uma entrevista muito completa, quase uma mini-biografia de Tavinho, que disponibilizamos na íntegra em formato PDF. Segue abaixo a introdução desse importante registro jornalístico.

Tavinho Moura

Um artista exerce seus alumbramentos

Entrevista a Fabrício Marques

Um é compositor, músico e cantor. Outro faz trilhas sonoras de filmes. Um terceiro tem parceria com a natureza: fotografa pássaros da Mata Atlântica. Finalmente, o quarto é escritor. Não necessariamente nessa ordem, todos os quatro coexistem, embaralhadamente, no mesmo homem, Tavinho Moura, nascido Otávio Augusto Pinto de Moura, em Juiz de Fora, em 9 de agosto de 1947.

Com a morte do pai quando ainda era criança, Tavinho, seus irmãos e sua mãe mudaram-se para Belo Horizonte, crescendo no bairro Floresta. No final dos anos de 1960, aos 22 anos, conheceu os músicos que ficariam conhecidos como o mítico Clube da Esquina e enveredou pelos caminhos da canção, o que resultou em 17 discos – divididos entre CDs de canções, de trilha sonora e de viola.

Mas uma só vida era muito pouco para tanta expressão incontida. O artista queria mais. Em 1972, iniciou os trabalhos como compositor de trilhas sonoras de filmes, somando 13 criações para longas, reconhecidas por muitas premiações. Em 2007, estreou na literatura, com Maria do Matué – Uma Estória do Rio São Francisco (edição do autor), revelando nova vertente de sua personalidade.

Mais recentemente, lançou dois livros dedicados à sua persona de fotógrafo de pássaros. O livro pássaros poemas – aves na pampulha recebeu os prêmios Gentileza Urbana/IAB, Professor Hugo Werneck de Ecologia/Revista Ecológico e Bom Exemplo FIESP/TV Globo. Vale do Mutum – Aves da Mata Atlântica recebeu o prêmio JK de Cultura e Desenvolvimento/FIESP/Mercado Comum.

Para falar dos múltiplos interesses desse artista refinado, encontramo-nos entre fevereiro e maio de 2016, alternando encontros no bar do Careca, no bairro Cachoeirinha, telefonemas e trocas de e-mails.

Nesta conversa, o músico fala dos mais constantes parceiros na música e de sua carreira solo, bem como da experiência com a viola. Comenta detalhes das trilhas sonoras que criou e o trabalho com diretores de cinema, as incursões para captar imagens de passarinhos e a experiência visceral de construir um rico e definitivo personagem da literatura brasileira, a Maria do Matué.

Em tudo, fica a presença de Minas e a centralidade do verbo em tudo o que faz, como afirma o próprio Tavinho: “E tem sido assim, fica fácil entender de onde vem a minha música, ela nasce querendo ser palavra.”

Leia a entrevista completa clicando aqui...

Com Wagner Tiso, Toninho Horta, Nelson Ângelo, Nivaldo Ornelas, Milton Nascimento, Paulinho Braga e Beto Guedes

Renata do Carmo (TV Globo) entrevista Tavinho

Tavinho com outros meninos em Juiz de Fora

Com a Orquestra Stradivarius no Colégio Santo Agostinho de BH

Thelmo Lins entrevista Tavinho Moura

Tavinho em show mais antigo

Tavinho Moura retratado pelo pintor José Alcântara

Tavinho Moura
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